Formação e Desenvolvimento Pessoal e Profissional

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Tal como refere Niza (1999) citado por Costa (2004) "formar-se é transformar-se", sendo este um "processo activo, vital, que decorre da experiência e que não é possível delegar" (p. 15).
Foi também neste processo de formação que fui aprendendo que a mesma toma um sentido individual e único consoante a história pessoal de cada formando, articulando-se com experiências de formação passadas e preparando para experiências de formação futuras (Costa, 2023).

Assim, tomei consciência de que é essencial, no Processo de Supervisão Clínica, tal como afirmam Tavares e Alarcão (1992) citados por Costa (2004) que a aprendizagem seja "centrada no aluno, nas suas necessidades, na sua vontade, nos seus sentimentos e não no professor, nos objectivos bem definidos ou nos conteúdos programáticos" (p.76). Para tal percebi que ao longo do Processo de Supervisão Clínica é indispensável conhecer de forma mais aprofundada o formando (as suas experiências, expectativas, receios, inseguranças, entre outros), considerando-o como um ser único, para que o processo formativo também ele vá ao encontro da sua individualidade.
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"Os dois, orientador e formando, devem viver uma relação que os iguala na dimensão da pessoalidade antes de os diferenciar na dimensão da profissionalidade" (Costa, 2023, p.54).
Deste modo as teorias de aprendizagem que me fazem mais sentido aplicar no Processo de Supervisão Clínica são as que as que, segundo Costa (2004), constroem respostas com foco na compreensão e no questionamento - teorias construtivistas.
Segundo Costa (2004), nestas teorias é dada particular importância à
"participação consciente do sujeito na construção das suas respostas, que são influenciadas pela sua representação mental, pela compreensão da situação de aprendizagem e pelas relações que estabelecem com a atenção, a motivação, as atitudes e as opiniões, atribuindo especial relevo à escolha pessoal, ao projecto individual e à iniciativa do sujeito em situação de aprendizagem".
A aplicação destas teorias fazem sentido quando existe articulação entre a teoria e a prática, principalmente em ensino clínico, uma vez que tal como referido por Dominicé (1989) citado por Costa (2003) "a experiência não é em si uma aprendizagem ... e a aprendizagem não pode passar sem a experiência. A aprendizagem sem a experiência será formal abstracta e muitas vezes inútil" (p. 56).
Tal como refere Simões et al. (2008) os ensinos clínicos, ao permitirem aprofundar os conhecimentos adquiridos na escola, pondo os mesmos em prática confrontando-os com "cenários" reais, constituem momentos importantes de aprendizagem e de desenvolvimento individual e profissional.
Porém, ao longo da história, o ensino de enfermagem em Portugal (clique aqui para saber mais sobre este tema) nem sempre contemplou este tipo de aprendizagens tão bem organizadas.
Na prática, as teorias construtivistas demonstram ser capazes de fomentar o desenvolvimento tanto do formando como do orientador num processo de formação interativa. No caso do Processo de Supervisão Clínica em Enfermagem através da tríade estudante - enfermeiro tutor - enfermeiro orientador.

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A interpretação do mundo depende sempre dos olhos de quem o observa. Assim, também no Processo de Supervisão Clínica em Enfermagem sinto que deveremos dar espaço para que os formandos possam partilhar as suas visões, interpretações e soluções sobre os desafios vivenciados. Muitas já foram as vezes que neste processo para além de ensinar com certeza que aprendi porém, após esta Pós-Graduação considero que estarei ainda mais desperta para esta realidade.

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"Acredita-se que o profissional é a pessoa toda e uma parte da pessoa é o profissional" (Costa, 2004).
Assim, sendo quando falamos em formação deveremos, para além do desenvolvimento profissional deve haver um foco também importante no desenvolvimento pessoal.
Segundo Rispail (2002) citado por Costa (2004) o desenvolvimento pessoal é "um desejo profundo do indivíduo para se conhecer melhor, evoluir, ultrapassar certos bloqueios, a fim de comunicar melhor, manter relações familiares, com amigos e profissionais satisfatórias" (p.70).

Também o enfermeiro orientador/tutor deve auxiliar o estudante a melhorar a compreensão que tem "sobre si próprio, das suas crenças, dos seus hábitos, das suas aversões, dos seus receios, tomar consciência dos seus mecanismos de protecção e de defesa, afim de adquirir uma autenticidade e um certo nível de confiança que lhe permitirão melhorar a qualidade dos cuidados que presta" (Costa, 2003).
Vídeo 1 - Grow As We Go (Ben Platt)
Em jeito de conclusão deixo esta música e respetivo videoclipe que expressam a ideia de que o desenvolvimento pessoal é enriquecido pela partilha do processo com os outros.
Referências Bibliográficas
Costa, M.A.R.C. (2004). Desenvolvimento pessoal do aluno de enfermagem em ambiente de formação. [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade do Algarve]. Repositório da Universidade do Algarve.
https://hdl.handle.net/10400.1/1710
Simões, J., Alarcão, I., Costa, N. (2008). Supervisão em Ensino Clínico de Enfermagem: a perspectiva dos Enfermeiros
Cooperantes. Referência - Revista de Enfermagem, 6, 91-108.
www.redalyc.org/articulo.oa?id=388239953009